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Amigos,
Este sábado foi outro "daqueles" dias, eu não estava muito ligado na
meteorologia. Mas estava quente, e em preparação para a Etapa
Planalto Central do Campeonato Brasileiro de Planadores resolvi ir
voar. Cheguei um pouco tarde, resolvi lastrear o planador para
testar tudo.
Logo na decolagem percebi que não era um dia comum, peguei uma
térmica forte a 200m na próximo a pista. Estava voando pesado, ou
seja com mais 100 l de água nas asas. Mesmo assim subia muito bem,
as 12:15.
Pedi que a "área Vela Vale" (corredor visual para planadores) fosse
aberta por rádio para o APP, minutos depois a já estava aberta.
Inicialmente fui com a proa de Bragança, mas depois vi Atibaia,
resolvi dar uma passada por lá. Como estava com o transponder
ligado, o controle autorizou a proa de Atibaia, pedi para subir para
o 080, autorizou. E o controle falou, vc está ciente do HAB embaixo
de você ? Eu falei sim, era o Lambada girando térmica lá embaixo,
digo isso porque eu estava a uns 1500m, e o Lambada parecia tão
pequeno... Saí para Atibaia, e lá um pouco antes da pedra grande,
peguei outra térmica boa, na subida pedi pedi FL090 e logo depois
FL100, mas não usei tudo isso, subi a 1992m, que dava FL93. Toquei
em frente, logo depoi as 13:07 já estava no limite da TMA SP, outro
rojão, subi para 3100m agl, ou FL100. A média da térmica foi 2.3m/s,
parecia mais no vario pulava pra 3,5, sempre achamos que astérmicas
são muito mais fortes, do que na realidade, por isso de quando em
vez é bom olhar o barograma do vôo. Já quase na estratosfera fui na
proa de Monte Verde, mas comecei a desviar para o Vale do Paraíba,
que mostrava ter nuvens interessantes.
Normalmente no Vale as térmicas sào bem mais fracas, mas foi um dia
atípico de Pré Frontal mesmo, onde o Vale estava muito bonito
também. Em cima do CVV CTA (clube de vôo que fica em Caçapava), a
1700m, cruzei com um Jantar acima de mim, não sei se ele me viu. Nào
consegui contato com ele, voltei para a frequência do Controle SJC.
Rumei para o Pindamonhangaba, e o tempo continuava estourado, voava
entre 1600 e 2100m, ou seja altura super confortável, pois dá para
escolher as térmicas mais fortes.
O controle pediu pra eu chamar Taubaté, depois Guaratinguetá, todos
os controladores foram cordiais, não tive que desviar para lado
algum. O detalhe que eu pensava que iria fazer um vôo na região,
resultado, saí do mapa. Até no SeeYou, já não tinha mais a indicação
do mapa digital :(.
No través de Lorena subi 750m a 3.2m/s ou seja rendia bem ainda, foi
a ultima térmica super forte que peguei já as 14:08. Próxima cidade
era Cachoeira Paulista, mas o que chamou mesmo a atenção era o
maciço de Agulhas Negras. Desviei para as montanhas, passando ao
lado de Cruzeiro. Nossa esse foi um dos pontos altos do vôo, voei ao
lado das altas montanhas, que chegam a 2200m, deu pra ficar um pouco
ao lado das escarpas, era turbulento mas maravilhoso. Passei a 5km
da Pedra da Mina, que é quarta montanha mais alta do Brasil com
2798m de altura. Essa região da Mantiqueira tem um potencial
incrível, e tudo isso a menos de 200km de Jundiaí !!! Quem sabe o
Aeroclube não faz um acampamento em Resende, dá pra voar lá ficando
no cone da pista com um visual de outro mundo.
Pretendo voltar um dia com mais calma, eventualmente pousar em
Resende, ou alguma pista próxima para explorar esta linda região,
realmente deve valer a pena. Parece uma gema esperando para ser
explorada com um planador. Será que não existe onda forte lá ? Mesmo
se não tiver, um bom vôo de colina, ou mesmo as térmicas para
apreciar a paisagem deslumbrante. Isso que eu não consegui chegar
até a próxima cadeia, Agulhas Negras mesmo. Talvez até passear por
lá, vejam as fotos: http://www.ecofotos.com.br/Brasil/Pedra%20Mina/Pedra%20Mina.asp
Estava tarde, me entusiasmei com as montanhas e térmicas fortes.
Comecei voltar pelas montanhas, pois no Vale já estava tudo azulado.
A volta foi muito bonita, pois voava perto das montanhas,
especialmente bonito foi ver uma turma de escaladores no topo de uma
montanha acenando, todos bem agasalhados, com gorro e etc... Mas as
térmicas estavam bem mais difíceis, passei Campos de Jordão meio que
boiando, a 1400m encostei na Pedra do Baú, e peguei uma boa térmica,
que estava sendo disparada pelo vento, a essa hora, 1520 já não
haviam mais nuvens, apenas alguns fiapos, e eu longe de Jundiai...,
subi a 1,6m/s 560m, e foi a ultima térmica do dia, toquei em frente
desviando para o lado mais baixo do relevo, uns10/20 graus para o
norte, um pouco fora da rota, porque vi algumas pequenas nuvens. Não
tive térmicas decentes mais, mesmo debaixo destas nuvens, nesta hora
alijei todo o lastro de água. Pois já não tinha sentido voar tão
pesado, com as térmicas mais fracas.
Passei no través de Sapucaí e Gonçalves, nada de térmica , comecei a
procurar qualquer fonte de térmicas, mas mesmo as pequenas cidades
não desprendiam mais. Tentei ainda numa escarpa ao lado da rodovia
Fernão Dias BH/SP Começou a fase pior do vôo, ficando baixo, com
relevo alto, cisquei por todos os lados, encostei numa escarpa
chamada de Pedra Chata, na cidadezinha de Itapeva, tentei colina,
mas o vento não tinha força suficiente. Então as 16:27 acabou meu
voo térmico, liguei a térmica-motor, e subi em direção de Jundiaí.
As 1707 cheguei na vertical da pista.
Esse foi um vôo muito interessante... Mostrou como é bom voar em
Jundiaí., com a diversidade de terrenos, montanhas, vales, a apenas
50" de automóvel de SP, é um privilégio poder voar tão perto de
casa.
Total de vôo sem motor: 395km, com motor acrescentar mais 80km.
Anexo o vôo para o Google Earth.
Na OLC o vôo também está lançado.
Abraços,
Thomas |