Asas da Conquista - por: Marcelo Torretta

Introdução.

 

A pretensão deste documento não é contar a história do vôo à vela mundial, pois existem livros em inglês e alemão muito interessantes que fazem isso com competência, e tão pouco contar a história do esporte no Brasil. Este ainda está para ser escrito.

 

O objetivo é bem mais humilde: contar a trajetória do Aeroclube Politécnico de Planadores nos últimos 70 anos e situá-la no contexto geral.

 

Afina de contas, por que “Politécnico”? É verdade que já se voou na Cidade Universitária? O Grunauzinho que voava no aeroclube e hoje está no museu da TAM é o da Hanna Reitsch? Quem foi essa mulher?

 

 

O Começo.

 

Toda vez que alguém começa falando da história do vôo cita Ícaro, Santos Dumont e seus contemporâneos. Como aqui vai se falar de vôos sem motor, vamos ao que interessa.

 

Otto Lilienthal foi um pioneiro da aviação e pode-se dizer que foi com ele que o vôo à vela começou. Pequenas multidões já eram atraídas aos locais de exibição.

 

A teoria do vôo existia há muito tempo e vários entusiastas tentaram colocá-la em prática. O sucesso veio com esse alemão na última década do século XIX. A aeronave tinha asas que pareciam de um pássaro, mas permitia ao piloto um vôo controlado morro abaixo. Os conhecimentos obtidos foram mais tarde utilizados pelos irmãos Wright.

 

O vôo à vela era uma simples curiosidade em virtude da precariedade dos planadores.

A aviação motorizada, que surgiria logo mais, já vislumbrava o cruzamento de oceanos em vôos de carga e passageiros. As pessoas teriam na garagem do futuro, além do carro, um dirigível ou avião.

 Otto Lilienthal voando morro abaixo.

Capítulo I

Décadas de 20 e 30.

 

A aviação do mais pesado que o ar nasceu no início do século XX e causou um impacto que reflete nos dias atuais. Poucos anos depois dos primeiros vôos movidos a motor, estoura a primeira guerra com utilização tímida de aviões. Essa realidade muda rapidamente: de inocentes observadores do campo de batalha os pilotos militares passam a portar pistolas e

rifles, depois bombas e metralhadoras. Acabado o conflito e mediante a constatação do poder destruidor da nova arma, o Tratado de Versalles limita severamente aviões na Alemanha.

 

Este fato impulsionou o vôo à vela por lá. “Se não podemos voar com motores, voaremos sem eles!” era a palavra de ordem e o patriotismo deu uma força adicional.

Scharze Teufel.

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