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Capítulo IV -
Escola Politécnica, IPT e
Butantã, Década de 40.
É preciso fazer um intervalo para
contar uma história paralela. A cidade de São a partir das
últimas décadas do século XIX crescia a um ritmo assombroso.
Professores e profissionais formados na Escola Politécnica,
criada em 1893, participaram ativamente na transformação da
cidade de construções coloniais em um vibrante núcleo urbano
feito de tijolo e concreto armado. Edifícios públicos, traçados
de avenidas e as primeiras construções de vários pavimentos
traziam suas assinaturas.
Em 1934 é criada a Universidade de São Paulo e a Escola
Politécnica é incorporada. Neste mesmo ano nasce o Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT) sucedendo o antigo Laboratório de
Ensaios de Materiais (LEM). O leque de cursos aumenta, vários
professores europeus e norte-americanos passam a lecionar e
realizar pesquisas na USP. Em 1938 surge no IPT a Seção de
Aeronáutica, também conhecida simplesmente por Seção, baseada em
projetos e construção de aeronaves de madeira.

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As oficinas do
IPT no bairro da Luz onde se vêem planadores em manutenção e
em construção. |
Na Alemanha várias universidades
haviam instituído núcleos de engenharia aeronáutica testando
conceitos avançados primeiro em planadores e incorporando
posteriormente os resultados à industria. E lá estava um clube
de vôo à vela com material atualizado, pilotos de boa qualidade
ansiosos para testar as máquinas, mas sem local de vôo.
Em 5 de setembro de 1939 é criado
o Aeroclube Grêmio Politécnico, herdando o material do antigo
Clube Paulista de Planadores. Já em abril de 1941 é sucedido
pelo Clube Politécnico de Planadores (CPP). A comunidade dos
alunos, professores e funcionários da Poli e IPT passa a ter
participação mais intensa no dia a dia e tenta-se recuperar o
terreno perdido, afinal a VAE (Varig Aero Esporte) já havia
conquistado a posição de maior clube de vôo à vela brasileiro.
Desde sua criação, a Universidade
de São Paulo estava distribuída por diversos prédios da cidade:
engenharia na Luz, filosofia na Maria Antônia, arquitetura na
Rua Maranhão. Era imperiosa a criação do campus e a oportunidade
surgiu quando uma antiga fazenda situada às margens do Rio
Pinheiros foi entregue ao Governo do Estado de São Paulo em
troca de dívidas. Surge o campus do Butantã.
Começa a fabricação de
contraplacados aeronáuticos pela Seção do IPT, é publicado
estudo sobre madeiras brasileiras na construção aeronáutica e o
projeto do IPT-1 Gafanhoto, planador primário de madeira baseado
no Zoegling alemão. São construídos os IPT-2 Aratinga, IPT-3
Saracura, outro planador primário, IPT-4 avião Planalto, IPT-5
planador Jaraguá, IPT-6 Stratus e assim por diante.
A aproximação do CPP junto à
Politécnica e ao IPT dá resultados. É preparada uma pista ainda
modesta, mas que permitiria operações e com ajuda oficial é
erigido um hangar de construção simples para guarda do material,
com piso sem revestimento, mas muito funcional. Diversas
aeronaves projetadas e construídas nas oficinas do IPT são
testadas pelo Alberto Bertelli, já famoso acrobata aéreo,
falecido nos anos 80 e que fazia então o papel de piloto de
provas. O impacto da perda da base operacional em Cumbica começa
a ser superado. |