Asas da Conquista - por: Marcelo Torretta

Capítulo IV - Escola Politécnica, IPT e Butantã, Década de 40.

 

É preciso fazer um intervalo para contar uma história paralela. A cidade de São a partir das últimas décadas do século XIX crescia a um ritmo assombroso. Professores e profissionais formados na Escola Politécnica, criada em 1893, participaram ativamente na transformação da cidade de construções coloniais em um vibrante núcleo urbano feito de tijolo e concreto armado. Edifícios públicos, traçados de avenidas e as primeiras construções de vários pavimentos traziam suas assinaturas.

 

Em 1934 é criada a Universidade de São Paulo e a Escola Politécnica é incorporada. Neste mesmo ano nasce o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sucedendo o antigo Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM). O leque de cursos aumenta, vários professores europeus e norte-americanos passam a lecionar e realizar pesquisas na USP. Em 1938 surge no IPT a Seção de Aeronáutica, também conhecida simplesmente por Seção, baseada em projetos e construção de aeronaves de madeira.

 

As oficinas do IPT no bairro da Luz onde se vêem planadores em manutenção e em construção.

 

Na Alemanha várias universidades haviam instituído núcleos de engenharia aeronáutica testando conceitos avançados primeiro em planadores e incorporando posteriormente os resultados à industria. E lá estava um clube de vôo à vela com material atualizado, pilotos de boa qualidade ansiosos para testar as máquinas, mas sem local de vôo.

 

Em 5 de setembro de 1939 é criado o Aeroclube Grêmio Politécnico, herdando o material do antigo Clube Paulista de Planadores. Já em abril de 1941 é sucedido pelo Clube Politécnico de Planadores (CPP). A comunidade dos alunos, professores e funcionários da Poli e IPT passa a ter participação mais intensa no dia a dia e tenta-se recuperar o terreno perdido, afinal a VAE (Varig Aero Esporte) já havia conquistado a posição de maior clube de vôo à vela brasileiro.

 

Desde sua criação, a Universidade de São Paulo estava distribuída por diversos prédios da cidade: engenharia na Luz, filosofia na Maria Antônia, arquitetura na Rua Maranhão. Era imperiosa a criação do campus e a oportunidade surgiu quando uma antiga fazenda situada às margens do Rio Pinheiros foi entregue ao Governo do Estado de São Paulo em troca de dívidas. Surge o campus do Butantã.

 

Começa a fabricação de contraplacados aeronáuticos pela Seção do IPT, é publicado estudo sobre madeiras brasileiras na construção aeronáutica e o projeto do IPT-1 Gafanhoto, planador primário de madeira baseado no Zoegling alemão. São construídos os IPT-2 Aratinga, IPT-3 Saracura, outro planador primário, IPT-4 avião Planalto, IPT-5 planador Jaraguá, IPT-6 Stratus e assim por diante.

 

A aproximação do CPP junto à Politécnica e ao IPT dá resultados. É preparada uma pista ainda modesta, mas que permitiria operações e com ajuda oficial é erigido um hangar de construção simples para guarda do material, com piso sem revestimento, mas muito funcional. Diversas aeronaves projetadas e construídas nas oficinas do IPT são testadas pelo Alberto Bertelli, já famoso acrobata aéreo, falecido nos anos 80 e que fazia então o papel de piloto de provas. O impacto da perda da base operacional em Cumbica começa a ser superado.

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