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Finalmente os Primeiros 300! |
Por: Julio C. M.
Alves
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Comecei a tomar meus primeiros duplos com uma certa
consistência aos 14 anos. Antes era só brincadeira
quando voava com meu pai. Um privilégio, confesso!
Bem, depois a coisa foi indo até me tornar instrutor
com 18 anos e começar a dar instrução e rebocar em
Juiz de Fora, um pouquinho antes de começar o curso
de medicina.
Desde
aquela época comecei a sonhar com o C de prata,
tendo feito 5 horas algumas vezes de Neivão e Grunau.
Depois de muito tempo, consegui completar os
quesitos do C de prata, mas não consegui registrar
os 1000m de ganho de altura, pois o bendito barógrafo sempre dava pau! |
Há pouco
tempo, já no APP, consegui a insígnia voando o PW-5
XBK e a busca passou a ser pelos 300 km.
No nosso
(já) tradicional acampamento de Itápolis, edição
2007, começaram as tentativas.
Numa
certa manhã de Carnaval, a meteorologia pareceu
ajudar a decidir que aquele seria o dia! Bem, a
meteorologia e todos os amigos que lá estavam!
Preparamos o Janta PT-PIU (SP) e o levamos para a
cabeceira. Heinz parecia ser o mais entusiasmado!
Parecia que ele é quem ia decolar!
Com sua
experiência infindável, me auxiliou desde a escolha
dos pontos de virada para a declaração de
pré-fixados até os preparativos de água para beber,
barrinhas de cereal , etc. Assim, fiz a declaração e
decolei!
No
início a coisa estava mais difícil que eu pensava,
pois as térmicas não estavam lá muito fortes. Saí
assim mesmo, confiando na beleza dos cúmulos que se
formavam à minha frente. Conforme estipulado, chamei
Bauru e informei minha intenção de ir para Matão.
Fui autorizado a ir, com freqüência livre, devendo
chamar novamente no retorno. Que maravilha!
Mantive-me na freqüência de Bauru até chegar às
proximidades de Gavião Peixoto, quando os chamei.
Disseram que estava havendo testes com o EMB 175,
mas que não teria problemas se eu passasse por perto
desde que estivesse na freqüência deles. Fiz isso.
De vez em quando passava para a rádio de Bauru, para
ouvir o que meus colegas estavam fazendo por
Itápolis, já que havia algumas intenções de
tentativas de C de Prata.
Foi
quando ouvi um dos nossos pilotos que, ao informar a
sua posição em Ibitinga, o controle Bauru mandou que
ele ficasse por lá e não subisse mais que 4500 pés,
pois estavam ocorrendo testes em Gavião Peixoto!!!
Eu estava do lado, quase sobre Gavião, vendo o 175
pousar e decolar, falando com os caras e Bauru
mandando o meu amigo ficar longe! Vai entender! Para
evitar confusão, fiquei na minha, agradeci Gavião e
toquei para o meu ponto que era um pouco depois do
aeródromo de Matão.
Note-se que até agora nem falei de bananosa, ficar
baixo... nada disso! Uma beleza! Não ia muito alto
(base 1100m) nem fiquei abaixo de 600m, sempre mais
ou menos no cone das pistas que abundam naquele
pedaço de chão!
Virei a
W de Matão e tratei de achar meu rumo para Barretos.
Em Jaboticabal consegui falar com o nosso rebocador
“Chupa Cabra” (grande Gabriel Saia) e informar minha
posição. Logo depois fiquei um pouco baixo, mas vi
que dava para pousar em Jaboticabal, livrando a
equipe da desmontagem do resgate. Já pertinho da
pista, vi uns urubus subindo e “colei” neles. Subida
garantida e...rumo Norte! Vi uma bela estrada de
nuvens um pouco mais a oeste de onde eu deveria
estar voando e acho que acertei em sair da rota um
pouco. Passei por Bebedouro a uns 1500m, colado na
base e voando a uns 140 km/h. De lá até Barretos foi
um tiro! Tive grande emoção ao ver o Rio Grande! Deu
a maior vontade de atravessá-lo e chegar ao meu
estado de Minas! Mas o relógio e a configuração das
nuvens me diziam para ir para Leste, rumo a Olímpia,
como havia programado. Peguei uma fumaça de queimada
no caminho que me fez chegar logo a Olímpia. Ali
fiquei um pouco baixo, já vendo até um arado que
poderia me amparar com segurança.
Felizmente consegui um “zerinho” que demorou muito a
virar um “meinho”, “unzinho”.... Fui “boiando” até a
Fazenda Catanduva, quando tive a certeza que seria o
fim do vôo: mais uma tentativa que acabava numa
pistinha de fazenda.
Mas eis
que novamente nossos bravos heróis urubus me mostram
o caminho para o alto!!! Subi bastante, colei na
base que agora estava a 1600m e fui administrando
com calma os 40 km que me restavam para chegar de
volta a Itápolis. Quando vi que a tabelinha de
planeio me dava Itápolis com 300m de reserva, fique
muito feliz e vi que poderia chegar lá num raso de
comemoração. Resolvi checar o tempo de vôo e percebi
que se ficasse no ar mais 20 minutos, faria as
outras 5 horas necessárias para ao C de Ouro! Tratei
de me segurar até onde deu! Fiz as 5 horas e fui
para pouso.
Muita
comemoração, chopadas etc. Esta semana a FBVV
confirmou minhas duas etapas do C de Ouro (300 km e
5 horas) e um diamante (300 km pré-fixados). Ficam
faltando os 3000m de ganho de altura para completar
o C de Ouro! Mais um desfio! Quem sabe?
Nem
preciso dizer a alegria que sinto! A primeira pessoa
em que pensei não poderia ser outra que não meu pai,
que me levava para “brincar” de voar quando eu era
criança e depois me solou! As outras pessoas são
aquelas que sem elas não há vôo a vela: os pilotos
experientes que estimulam, os rebocadores que te
levam para o alto, os que se prestam a garantir seu
resgate em qualquer lugar ou horário que você pouse,
aqueles que dirigem os clubes, aqueles que estão
aprendendo, as mulheres que nem sempre estimulam
tanto assim o vôo, enfim:os volovelistas.
Bons
vôos a todos!
Julinho |