VÔOS PANORÂMICOS

LEIA AQUI ALGUNS RELATOS DE QUEM JÁ FEZ UM VÔO COM A GENTE!

 

Alexandre Zannon - SP

 

Foi um dia sensacional!

 

Quando acordei pela manhã e vi aquele sol maravilhoso eu pensei: -É hoje!
O dia colaborou demais e o vôo foi um momento único, foi a minha primeira vez num Planador e com certeza não será a última. Lá no alto seguindo as instruções do Instrutor Vigo pude pilotar e sentir o Planador, a sensação de liberdade é demais.


Durante o vôo aprendi sobre as térmicas e como buscá-las para ganhar altitude, chegamos a praticamente 1000 metros e tivemos que descer.
Lá do alto é possível visualizar toda a cidade de Jundiaí, ver a maravilhosa Serra do Japi e até mesmo avistar a pista do Aeroporto de Viracopos.
Para resumir, incrível!


Agradeço com todo amor a minha esposa, que me deu de presente de aniversário esta experiência maravilhosa.

 


 

Henrique Coelho - SP

 

I´d rather be flying...

Eu preferia estar voando. Do inglês, tradução do autor deste breve relato.

Pois é, o dia do meu vôo já se foi e agora as lembranças estão nas fotos, no singelo recibo do pagamento do vôo e mais do que tudo correndo no meu sangue já há muito infectado pelo “aerococus”, o vírus da paixão por voar.

Pois foi assim que no dia 13 de Setembro minha esposa me presenteou com um belo vôo panorâmico de planador – uma realização do competente APP – Aeroclube Politécnico de Planadores de Jundiaí. Um presente inesquecível, um momento ímpar. Sensação de liberdade, prazer e relaxamento indescritíveis. Não tive palavras e ainda não tenho como agradecer a Rita, minha esposa.

Como todos os outros, foi tudo combinado pelo telefone e no Domingo, saímos de São Paulo emoldurados por um dia belíssimo, um céu azul firme e uma bela temperatura primaveril. De São Paulo a Jundiaí, onde se localiza o APP são cerca de 50 minutos de carro. Um passeio relaxado pela estrada margeada de muito verde se for pela Anhanguera ou uma larga autopista se for pela Bandeirantes. Nós fomos pela Anhanguera e voltamos pela Bandeirantes.

Nas proximidades do aeroporto Comandante Rolim Amaro ou, para os entendidos do meio aeronáutico simplesmente SDJD, já chamava a atenção o agitado tráfego aéreo do local. E neste domingo pela manhã já se notava um grande movimento de Cessnas de instrução modelos 152 e 172 além de alguns ultra-leves avançados e Piper Cubs que completavam a cena. Contornamos o Aeroporto e entramos no portão do APP. Paramos o carro e já avistamos o hangar dos planadores, a sede administrativa e os aviões rebocadores, um Cub e um Aeroboero de fabricação argentina.

Uma apresentação rápida e fomos direcionados a parte interna do APP. Do prédio, logo pela manhã, já saia um bando de gente trajando roupas relaxadas, óculos escuros e seus indefectíveis chapéus de pano de abas curtas. Para quem não sabe estes chapéus de abas curtas são uma verdadeira coqueluche entre volovelistas ou pilotos de vôo a vela, como o esporte é também conhecido.

As pessoas iam se apresentando cumprimentos pra lá e pra cá e já fomos informados que a operação do dia está se iniciando e que temos de nos preparar para ir à pista. Cruzamos os portões de acesso aos hangares. Uma voz disse à minha esposa: “você também vai voar? Passou deste portão vai ter que entrar no avião...”

Risadas gerais deixando já bem delineado o clima de bom humor e camaradagem que reina no local. Minha esposa prometeu que na próxima vai.

Enfim, começamos a observar a operação que envolve todos que estão lá, desde instrutores, alunos, pilotos já formados e quem mais estiver lá. Todo mundo faz alguma coisa seja empurrar os planadores, amarrar a corda no tratorzinho, dirigir o tratorzinho, dirigir o buggy, cuidar dos rádios. Dá a impressão que se você chegar perto demais também vai ser “sugado” por aquela energia e vai estar lá tocando os vôos do APP com eles.

Esta movimentação toda era para levar 3 planadores para a outra cabeceira, a de número 36 que fica do outro lado do aeroporto. O hangar do APP fica junto a cabeceira 18 então tivemos de ir no buggy até o outro lado. Chegando lá montaram uma mesinha para acompanhar e registrar os vôos enquanto o resto da turma vai se espalhando pelos planadores.

Falando neles, são 2 Puchacz de fabricação polonesa e um Smyk Pw5. Os Puchacz são usados para instrução e portanto são biplace (2 lugares) enquanto que o Pw5 é monoplace. Os aviões incluso aí os planadores são conhecidos pelas suas matrículas. Os 2 Puchacz são respectivamente os planadores PT-PPC e PT-PPD e o Pw5 é o PT-XBL. Depois ainda veio para o grupo o PT-PZA, outro Puchacz.

Fui informado que voaria no PT-PPD e logo logo me chamaram a conhecer o Fazoli, piloto que me levaria aos céus naquele dia. Enquanto o pessoal trabalhava na preparação tiramos algumas fotos e ficamos vendo a ininterrupta operação de pousos e decolagens no SDJD. E aí, já viu, né? A adrenalina vai comendo solta.
Depois de colocar o paraquedas de emergência - item obrigatório - sou acomodado na posição da frente do PT-PPD. O piloto vai atrás em posição tandem. Antes do Fazoli se acomodar no banco de trás, trouxe-me algumas explicações sobre os instrumentos e comandos da aeronave. Me sentia verdadeiramente em casa pois embora nunca tivesse sentado em um cockpit de planador antes eu já sou figura carimbada no meio aeronáutico. Tenho vôos no Aeroclube do Brasil no Rio de Janeiro com Uirapuru T-22, um aviãozinho de instrução bem sem vergonha, vôos de ultra-leve Fox 5, alguns saltos de paraquedas e cerca de 70 vôos de parapente que pratiquei no Rio de Janeiro quando morei lá. Como o parapente tem o mesmo princípio, achei tudo muito familiar pois a teoria de vôo é a mesma: persegue-se a térmicas, enrosca-se nelas da mesma maneira e, é claro, ajoelha-se para o rei do vôo planado – os ilustríssimos urubus!

Além das experiências pregressas em atividades ligadas a aviação, eu também tenho algo como mais de 20 anos em simuladores de vôo, já tendo voado desde planadores até jatos comerciais em vôos de mais de 10 horas. Bom, a essa altura o aerococus que corria no meu sangue já clamava impiedosamente pelo início do vôo mas seguia-se o ritual de conectar o cabo no planador e o rebocador posicionar-se para a decolagem.

Enfim, fechou a cabine, beijinho e tchauzinho para minha esposa e lá fui eu voar de planador.

A corrida de decolagem é curta e o planador alça vôo antes do Aeroboero que nos reboca com uma lerdeza só. E logo fizemos a primeira curva a esquerda e depois outra e continuamos subindo paralelo a pista. Fiquei pasmo com a suavidade do vôo. Pés nos pedais e mãos no comando para sentir a pilotagem do Fazoli. Movimentos precisos e uma grande consciência situacional. Movimentos antecipados e reações absolutamente previsíveis. Um show. Fomos subindo no PT-PPD enquanto observávamos lá no alto o PT-PPC que decolou antes da gente. Mais um pouco e o Fazoli avisou: “Olha lá o Charlie desconectou. Rebocador para um lado e planador para o outro, lá foi o PT-PPC caçar térmicas para sustentar-se no ar.

Chegou nossa vez. Desconectamos a 800 metros acima do aeroporto e logo entramos numa curva a esquerda também a caça de um arzinho quente qualquer. Mais um pouquinho encontramos uns urubus e o Fazoli observou “por aqui deve ter alguma coisa”. Enrosca e e e?? zerinho... Não ganhávamos nem um metro sequer mesmo com os incontidos clamores do Fazoli “Vamos filhina, bate!”. Mas também não descíamos até que desistimos daquele local. Neste momento ele me passou o comando por uns breves segundos. Experimentei os pedais e recebi uma ligeira instrução sobre a lãzinha de orientação. Sim um fiapo preso na bolha é um dos instrumentos mais importantes do planador. Experimentei mudar de rumo fazendo curvas coordenadas com os pedais. Que delícia sentir o planador "na mão".

Impressionante como o planador tem comandos sensíveis. O Fazoli ia me corrigindo: “abaixe um pouco o nariz para não perder velocidade e estolar” e lá fui eu me achando nos céus experimentando o vôo planado, sem barulho de motor e em plena harmonia com os ventos. Não mais que de repente o Fazoli anuncia: “bateu!”. Assumiu os comandos e voltou a enroscar bem fechado. Ganhamos os 100 metros que tínhamos perdido e mais uns 50 metros. Não foi uma térmica forte mas deu para ganhar um pouquinho mais de autonomia no vôo. Infelizmente, logo depois a térmica cedeu. Tiramos de lado e ganhei a oportunidade de pilotar um pouquinho mais. Desta vez já pedi: “posso abaixar o nariz para ganhar um pouco mais de velocidade?”. Com a permissão do piloto, suavemente levei o manche a frente e vi o velocímetro encher enquanto perdíamos alguns metros de altitude. Que satisfação de ver as reações do belo Puchacz. Dócil e ágil. Fiz algumas curvas e novamente o Fazoli assumiu os comandos para desta vez demonstrar algumas manobras mais radicais. Fizemos curvas fechadas (ficamos a 180 graus ou literalmente de lado) e também fizemos o “astronauta”. Uma manobra que faz uma bolinha de plástico amassada na palma da mão descolar dela como se estivéssemos em gravidade zero. Showtime!

Após as manobras ainda pilotei mais um trechinho até o Fazoli anunciar: “complete a curva pois já vamos iniciar os procedimentos de pouso”. Virei o planador paralelo a pista e o Fazoli assumiu levando-o ao ponto de espera onde chamou o controle pelo rádio anunciando sua intenção de pousar. O controlador anunciou 3 aviões na proximidade já em procedimentos para o pouso. Pediu para aguardarmos. E tome 360 graus de curva. Até que o estômago aguentou bem.

Continuamos na espera voando em círculos até que o Fazoli chamou novamente. O controlador pediu ao 3º avião que vinha para o pouso fazer uma curva de 360 graus para que se distanciasse e, assim, abriu uma janela para o PT-PPD entrar no tráfego. Dito e feito lá fomos nós para o pouso.

O pouso foi igualmente suave e rápido. Descemos do planador já com a missão de empurrá-lo para fora da pista. Esta operação envolve o passageiro e o fazemos com a maior alegria de poder participar ainda que um pouquinho daquela maravilhosa atividade de empurra pra lá, puxa pra cá, segura a ponta da asa, etc.

Abraços e beijos na esposa. Que mais poderia dizer além do muito obrigado? Nada. Óbvio, sentia os aerococus todos planando no meu sangue. Imaginava-os sendo levados pela corrente sanguínea esticando suas asinhas em curvas de todas as formas pelas minhas veias e artérias afora... Extase total!

E ela, vendo minha felicidade, já emendou... faz o curso... Xiii, pensei. Que os aerococus não a ouçam ou eu não vou mais conseguir dormir enquanto não botar os pés lá no APP novamente. E tudo para tirar os pés do chão na graça, beleza, paz e serenidade do singelo vôo de planador. Então, se ela falou, tá falado. Os amigos do APP que me aguardem. Até a próxima!


Henrique Coelho é Diretor de Finanças e Administração de uma empresa do ramo imobiliário. Apesar de se entender bem com os números, ele se vê (e agora mais ainda) sonhando acordado... “I´d rather be flying”...


 

Andrea - SP

"A experiência foi ótima e o vôo maravilhoso. O pessoal do aeroclube tb foram muito bacana e atenciosos. Enfim, tudo aconteceu as mil maravilhas e não tenho um ponto sequer para citar como melhoria."


 

Matérias:

  • O voo a vela de Jundiaí fez parte esta semana de mais uma ótima matéria. Desta vez quem voou conosco foi a repórter ARIADNE GATTOLINI do Jornal de Jundiaí.

    Veja aqui a matéria em formato eletrônico.

     

  • Em um excelente BLOG Paulista de nome, "QUEBRANDO O SALTO", uma matéria muito bem redigida e, pelo jeito, muito bem vivida pela autora Maria Rita Barbi, foi relatado uma das muitas formas de se curtir o Vôo de Planador! Veja mais no link direto para a matéria.